O que todo investidor precisa saber para aplicar no CDI em 2021

Entender o funcionamento do CDI é fundamental para todo investidor. Leia o artigo e saiba tudo sobre essa taxa!

Artigo escrito por Marcos Vitor em 28 de Janeiro de 2021

Imagem de uma calculadora e uma caneta representando o que é e como calcular o CDI

Umas das mais famosas do Brasil, a taxa DI também é uma das mais mal compreendidas. Pensando nisso, resolvemos te explicar o conceito e o funcionamento dessa taxa, além de mostrar como você pode investir nela. Então, vamos lá?

Sistema Financeiro

O sistema financeiro desempenha um papel essencial na economia brasileira.

Realizando a intermediação entre agentes deficitários, que precisam de recursos emprestados, e superavitários, que dispõe de recursos para emprestar, o mercado financeiro cria condições para o desenvolvimento do país.

Dessa forma, podem-se implementar diversas ideias de investimentos, como em infraestruturas, serviços ou empresas, o que traz o desenvolvimento e crescimento para o país.

Contudo, para que possa haver um sistema financeiro sólido, é necessário que as entidades que o compõe sejam sólidas.

Uma dessas entidades, e que é fundamental, são os bancos. Vamos entender como funcionam?

Sistema bancário

Um banco precisa ser solvente, ou seja, precisa ter seu ativo maior que seu passivo.

Isso significa ter condições de honrar seus compromissos.

Caso todos os clientes de uma instituição financeira desejem realizar saques, ela deve ter condições de acatar essa demanda.

Pensando nisso, o Banco Central do Brasil criou uma resolução que obriga os bancos a encerrar o dia com saldo positivo.

Portanto, se um banco tiver mais saques do que depósitos em um dia, ele precisa pedir empréstimos a outros bancos para poder manter a saúde do seu balanço.

Depósito Interbancário (ou Interfinanceiro)

Esse empréstimo pode ser lastreado em Certificados de Depósitos Interbancário (CDI), que é um título privado, ou em títulos públicos federais.

Mas afinal, o que é CDI? O CDI é um título de renda fixa, emitido pelos bancos como forma de fazer captação ou aplicação de recursos excedentes.

As características de um CDI são semelhantes àquelas de um CDB, porém, os CDIs somente são negociados no mercado interbancário e têm o prazo de um dia útil.

Taxa DI e Selic Over

Como em todo empréstimo, essa operação incorre em juros.

A taxa de juros média das operações realizadas com lastro em CDI entre todas as instituições financeiras pelo prazo de um dia é chamada de taxa DI.

Por outro lado, a Selic Over, conhecida como a taxa overnight do mercado brasileiro, é a média das taxas de juros das operações com lastro em títulos públicos.

Enquanto a Selic Over é divulgada pela SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a DI é divulgada pela B3 (Bolsa de Valores).

Normalmente, a taxa DI flutua muito próximo da Selic Over, mas pode haver disparidades em algum momento.

Importância do CDI

Diante do que foi dito, podemos ver que o CDI é fundamental para a manutenção da solvência e da confiabilidade do sistema financeiro.

E este, por sua vez, é essencial para o crescimento e desenvolvimento da economia do país.

Utilização do CDI

Comumente, se utiliza a taxa DI como referencial para o custo do dinheiro.

Por esse motivo, usa-se ela também como parâmetro de rentabilidade de títulos de renda fixa e para avaliar o retorno em fundos de investimentos.

Por outro lado, a Selic Over é utilizada como fator de rentabilidade do Tesouro Selic (link artigo).

Investimento em CDI

Afinal, é possível investir em CDI?

Não, no CDI exatamente não, pois ele é um título negociado apenas no mercado interbancário.

Entretanto, existe uma infinidade de ativos de renda fixa que rendem uma porcentagem do CDI. Na verdade, o mais correto seria falar que rendem uma porcentagem da taxa DI.

Por exemplo, é comum vermos CDBs que rendem mais ou menos 105% do CDI. Não só CDBs, mas também LCIs, LCAs, LCs, debêntures etc.

Isso significa que se um ativo tiver rentabilidade de 110% do CDI, e a taxa DI estiver em 15%, essa aplicação vai ter rendimento de 16,5%.

Mas, o que define se a rentabilidade desses ativos vai ser maior ou menor?

Risco

Os títulos de renda fixa consistem em uma operação de empréstimo, ou seja, o investidor aplica seus recursos com o objetivo de receber o valor no vencimento acrescido de juros.

Nesse sentido, o maior risco dessa negociação é o risco de crédito, que consiste na possibilidade de não receber o valor aplicado.

À medida que essa possibilidade aumenta, os juros do título também deverão aumentar para compensar esse risco tomado.

Vamos pegar o caso de um CDB (Certificado de Depósito Bancário).

Quanto maior for a instituição, maior sua capacidade de honrar seus compromissos, ou seja, menor será o risco de crédito de investir em um CDB dela.

Por outro lado, se for uma empresa pequena, com um balanço mais apertado, maior será o risco de crédito e a incerteza quanto ao recebimento do valor aplicado.

Dessa forma, podemos concluir que se esse banco menor quiser captar recursos por meio de um CDB, ele deverá oferecer uma taxa de juros maior ao investidor.

Liquidez

Liquidez é a velocidade com que eu consigo transformar um ativo em dinheiro sem que haja diminuição em seu valor.

Por exemplo, normalmente um imóvel não tem liquidez, pois se eu quiser vender rápido, provavelmente não conseguirei um bom preço.

Caso eu queira vender um imóvel com mais agilidade, eu teria que diminuir o preço dele para que os compradores sejam atraídos.

Portanto, quanto menor for a liquidez de um ativo, maior deverá ser o retorno para compensar essa dificuldade de resgate.

Aqui, é preciso ficar claro que você não deve observar o vencimento do título, mas a possibilidade de resgate antes do vencimento.

No caso dos investimentos no Tesouro Direto, existem diversos vencimentos, mas eu posso resgatar a qualquer momento.

Por outro lado, existem aplicações em LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) que o resgate é só no vencimento mesmo, ou seja, seu dinheiro vai ficar “preso” naquela aplicação por 1, 2, 3 anos.

A regra é: quanto maior for esse prazo em que os recursos ficarão aplicados, maior deverá ser a rentabilidade para compensar o fato de você não poder utilizar o dinheiro a qualquer momento.

Vantagens e desvantagens

Novamente, quando falamos em investir em CDI, estamos nos referindo a aplicações com retorno como porcentagem da taxa DI.

Entendido isso, agora devemos considerar algumas características desse tipo de investimento.

Como todo investimento em renda fixa, existem vantagens e desvantagens.

Vantagens

O maior atrativo da renda fixa é a segurança.

Nela, podemos mensurar o retorno do investimento no momento da aplicação. Então, existe uma maior previsibilidade do valor acumulado no vencimento.

Além disso, a rentabilidade dessa classe oscila bem menos que a da renda variável.

Portanto, as maiores vantagens são: previsibilidade maior, volatilidade menor e risco mais baixo.

Desvantagens

Por outro lado, as vantagens têm a contrapartida de um retorno menor.

Como o risco é menor, os investidores não requerem uma taxa alta de rentabilidade, pois eles aplicam pelas vantagens.

Se o objetivo for ganhos maiores, eles distribuirão uma parcela dos seus recursos em ativos com mais incerteza quanto aos retornos.

CDI como benchmark

Benchmark no mundo financeiro significa um índice de referência para avaliar a rentabilidade de uma aplicação.

Em fundos de investimento, o mais comum são os gestores terem uma estratégia de acompanhar ou superar um índice.

Quando eles superam, normalmente cobram uma taxa de performance por essa rentabilidade excedente.

Como foi dito, a Taxa DI é benchmark de muitos fundos de investimento, mas não pode ser utilizada por todos.

Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o parâmetro de referência deve ser compatível com a política do fundo, ou seja, não é possível utilizar o Ibovespa como benchmark de um fundo de renda fixa.

No caso dos fundos referenciados (que buscam acompanhar o retorno de um índice), a CVM estabelece que eles devem ter pelo menos 95% dos seus ativos aderentes ao benchmark.

Isso significa que se o benchmark for a taxa DI, 95% as aplicações devem ter seu retorno como porcentagem dessa taxa.

Rendimento do CDI

Por fim, quero mostrar qual foi o retorno da Taxa DI desde 1995.

Eu escolhi esse período, pois o Plano Real foi iniciado em 1994, então, desde o ano seguinte, o Brasil tem um ano completo de maior estabilidade monetária.

Elaboração própria baseada nos dados da B3

Dessa forma, podemos ver que a taxa oscilou bastante durante todo o período, tendo um pico no final do século passado.

Hoje, estamos no patamar mais baixo da taxa Selic e da taxa DI.

Como foi dito, se você quiser saber qual é o rendimento da taxa DI hoje, é só entrar no site da Bolsa de Valores.

Quanto ganhou quem investiu em CDI?

Ao olhar esse gráfico, muita gente fica na curiosidade de saber quanto teria acumulado se tivesse investido nessa taxa.

Em um cálculo feito na calculadora do Banco Central, chegamos à conclusão que um investimento de 1.000 reais em 1995 que rende 100% do CDI teria acumulado o montante de 45.214,82 reais no início de 2021.

Isso significa uma rentabilidade de 4.421,48%.

Caso a aplicação tivesse sido feita no começo de 2011, o valor total seria 2.381,91 reais, ou seja, um retorno de 138,19% no período.

Conclusão

Apesar de ser uma das taxas mais comentadas e discutidas do Brasil, pouca gente sabe a sua origem, sua importância e sua aplicação nas nossas vidas.

Por isso, resolvemos fazer esse artigo para que você possa compreender tudo que é relevante sobre o assunto e, assim, aplicar seu dinheiro com mais segurança.

Por fim, continue seus estudos sobre investimentos e considere para sua carteira de investimentos aplicações que estejam atreladas ao DI.

Assim, você terá uma parte do seu portfólio alocado em ativos de baixo risco e com pouca volatilidade.

Quer aprender mais sobre o assunto? Deixe suas dúvidas nos comentários. Nossos especialistas em finanças pessoais e investimentos irão te ajuda!

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    10 comentários publicados nesse artigo
      05/02/2021 às 08:20

      Gostei um. Muito esclarecedor e acessível.

      Uma pergunta: Estou reservando um valor para pagamento de imposto de renda de um precatório recebido em 2021. Qual a melhor aplicação?

        05/02/2021 às 09:09

        Que bom que gostou, Julio. Para o seu objetivo, a melhor aplicação é em renda fixa, pois você não pode correr o risco de haver variação no montante aplicado no momento em que você precisar do dinheiro. Como você já tá sabendo bem sobre o CDI, você pode considerar uma aplicação que esteja vinculada a essa taxa.

      04/02/2021 às 08:25

      Muito bom, objetivo e sintetizado, com os conceitos de mercado, está de parabéns.

        04/02/2021 às 08:39

        Que bom que gostou, Daniel. Tenho certeza que você também vai se interessar pelos nossos outros artigos sobre investimentos.

      31/01/2021 às 00:40

      Conteúdo abordado de forma simples e direta. Muito esclarecedot

        01/02/2021 às 09:08

        Que bom que gostou, Eliana. Tenho certeza que você também irá se interessar pelos nossos outros artigos sobre investimentos.

      28/01/2021 às 20:12

      Bacana

        29/01/2021 às 08:48

        Que bom que gostou, Marcelo. Tenho certeza que você também irá se interessar pelos nossos outros artigos de investimentos.

        10/03/2021 às 16:13

        Boa tarde , sou Claitison Deficiencia Auditivo , gostaria de Pergunta como o passa e passo investimento de CDI como ?

        posso me ajudar para eu entendo que vc explicar por favo

        atenciosamente

        11/03/2021 às 08:23

        Olá, Claitison. Primeiro, você deve criar uma conta em uma corretora. Com ela, você terá acesso a vários produtos de investimento, inclusive os títulos que rendem uma porcentagem da taxa DI. Normalmente, os CDBs, LCIs e LCAs são atrelados a essa taxa. Agora, é só escolher o ativo que mais se adequa ao seu perfil e investir.

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      Escrito por Marcos Vitor Especialista em investimentos

      Especialista em investimentos do Mobills, Marcos é estudante de economia na UFC e recentemente tirou sua certificação na área. Tem como hobby aconselhar amigos sobre investimentos.

      • Certificado de Especialista Anbima (CEA);
      • Estudante de economia;
      • ETF no Mercado Brasileiro - ANBIMA;
      • Gestão de Riscos - ANBIMA.