Fundos de Investimento: Aprenda tudo para investir melhor nesse ativo [Guia Completo]

Os fundos de investimentos estão entre os produtos financeiros mais tradicionais do Brasil. Leia o artigo e aprenda tudo sobre o tema!

Artigo escrito por Marcos Vitor em 14 de Julho de 2021

Fundos de investimento ilustração

Os fundos de investimento são um dos instrumentos mais famosos e interessantes do mercado financeiro.

Isso porque as vantagens de se investir através de bons fundos são inúmeras.

Contudo, para que possamos construir uma carteira bem diversificada e que seja eficiente, precisamos conhecer mais a fundo esse instrumento.

Por isso, neste artigo, vamos abordar toda a parte conceitual e prática para que você possa ter ótimos resultados através dos fundos de investimento.

Então, vamos nessa?

O que é fundo de investimento?

É uma espécie de “condomínio” de investidores, que reúnem seus recursos para que sejam aplicados em conjunto no mercado financeiro.

O objetivo desse instrumento é obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos e/ou valores mobiliários.

Nesse instrumento, todos os investidores são chamados de cotistas, pois adquirem cotas do fundo, têm os mesmos direitos e obrigações.

Além do próprio investidor, existem outros participantes nos fundos de investimento e são eles que vamos conhecer agora.

Os fundos de investimento têm uma estrutura que não é pequena e que é responsável desde a administração até a parte contábil do fundo.

Administrador

É o responsável legal pelo fundo e responsável pelas informações aos cotistas e aos órgãos de regulação e autorregulação.

A ele compete:

  • Registrar o fundo na CVM;
  • Elaborar o regulamento, a lâmina e o formulário de informações complementares;
  • Contratar os demais prestadores de serviços; e
  • Recolher o Imposto de Renda.

Gestor

É o responsável pela gestão dos recursos aplicados.

O gestor pode ser a mesma instituição financeira responsável pela administração, desde que mantenha uma diretoria constituída especificamente para essa finalidade.

Distribuidor

É quem vende as cotas aos investidores.

Pode ser o próprio administrador ou um terceiro contratado para esse fim.

Custodiante

É quem realiza a liquidação física e financeira dos ativos, sua guarda e sua administração de proventos decorrentes desses ativos.

Pode ser o próprio administrador (se for credenciado pela CVM) ou outra instituição.

Auditor Independente

Ele audita, anualmente, as demonstrações contábeis do fundo para que este fique em dia diante dos órgãos reguladores.

Naturalmente, para manter toda a estrutura e todos esses profissionais, o investidor tem que pagar algumas taxas.

Os custos que os cotistas têm que pagar são três:

Taxa de administração

É uma taxa fixa, expressa em % ao ano, calculada sobre o patrimônio líquido do fundo e provisionada diariamente no valor da cota.

Isto é, o valor da cota divulgada diariamente já é líquido de taxa de administração. Por isso, essa taxa afeta o valor da cota.

Além disso, ela é cobrada enquanto o cotista fizer parte do fundo, independente da rentabilidade.

Essa taxa remunera:

  • A gestão da carteira;
  • A consultoria de investimentos;
  • As atividades de tesouraria;
  • A distribuição de cotas; e
  • A escrituração da emissão e resgate de cotas.

Taxa de performance

O regulamento do fundo pode determinar que, além da taxa de administração, o fundo cobre uma taxa de performance, sempre que a rentabilidade supera um determinado benchmark (índice de referência).

Normalmente, é expressa em percentual sobre o que exceder o benchmark.

Contudo, a CVM estabelece algumas regras sobre essa taxa:

  • O parâmetro de referência deve ser compatível com a política de investimento do fundo, ou seja, não é possível utilizar o Ibovespa como benchmark de um fundo de renda fixa;
  • O percentual mínimo de 100% do parâmetro de referência; então, não pode cobrar performance sobre o que exceder, por exemplo, 99% do benchmark;
  • O período para efeito de cobrança é, no mínimo, semestral;
  • A cobrança é feita após a dedução de todas as despesas, inclusive da taxa de administração; e
  • Não pode ser cobrada quando o valor da cota do fundo for inferior ao seu valor por ocasião da última cobrança efetuada.

Ademais, essa taxa não pode ser cobrada nos seguintes fundos: de renda fixa com carteira até 365 dias de prazo médio e renda fixa simples.

Outras despesas

Outras despesas podem ser deduzidas do patrimônio do fundo, por exemplo:

  • Registro de documentos em cartório, impressão, expedição e publicação de relatórios;
  • Correspondência do interesse do fundo, inclusive comunicação aos cotistas;
  • Honorários e despesas do auditor independente;
  • Emolumentos e comissões pagas por operação do fundo; e
  • Custódia e liquidação das operações.

Entendido os participantes e as taxas dos fundos de investimento, vamos discutir alguns outros conceitos importantes.

Conceitos importantes

Para compreendermos o funcionamento de um fundo de investimento na sua totalidade, precisamos ter conhecimento sobre alguns pontos fundamentais.

Patrimônio Líquido

O patrimônio do fundo é o resultado da seguinte operação:

PL = Valor de Mercado dos Ativos + Valores a Receber – Despesas Autorizadas – Taxa de Administração – Taxa de Performance

Se dividirmos o valor do Patrimônio Líquido pelo Número de Cotas, encontraremos o valor da cota.

Fundos abertos e fechados

Nos fundos abertos, a cota não pode ser transferida, mas pode ser resgatada a qualquer momento.

Por outro lado, nos fundos fechados, você compra (vende) a cota de (para) outros investidores no mercado secundário, como os ETFs e os Fundos Imobiliários.

Classificação dos fundos de investimento

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, os fundos são divididos em quatro classes: renda fixa, cambial, multimercado e ações.

Fundos de Renda Fixa

Esses fundos precisam ter pelo menos 80% do seu patrimônio líquido em ativos relacionados à variação da taxa de juros e/ou índice de preços.

Dentre esses fundos, somente nos Fundos de Longo Prazo pode haver cobrança da taxa de performance.

Entretanto, dentro da classificação de Renda Fixa, existem outras classificações mais específicas.

Nesse sentido, o fundo de renda fixa pode ser:

  • Curto Prazo: prazo médio dos títulos da carteira inferior a 60 dias;
  • Referenciado: busca obter um retorno igual a um índice de referência;
  • Simples: objetiva investir em títulos com baixo risco de crédito;
  • Externa: investe em títulos da dívida externa brasileira; e
  • Crédito Privado: expõe mais da metade do seu patrimônio em títulos privados.

Fundo Cambial

Deve ter, no mínimo, 80% do patrimônio líquido em ativos atrelados à variação cambial.

Então, o principal fator de risco de sua carteira é a variação de preços de moedas estrangeiras.

Fundo Multimercado

O Fundo Multimercado pode investir em títulos de renda fixa, câmbio, ações, entre outros.

Esse fundo é chamado de multimercado, pois não têm uma regra de mínimo do patrimônio que deve ser investido em alguma classe específica de ativos.

Fundo de Ações

Esse fundo deve aplicar no mínimo 67% do seu patrimônio em:

  • Ações;
  • Bônus ou recibos de subscrição;
  • Cotas de fundos de ações; e
  • BDRs (recibos de ações estrangeiras).

Além disso, os outros 33% poderão ser aplicados em quaisquer outras modalidades de investimentos.

Outros fundos de investimento

Essa classificação da CVM é a oficial, mas existem fundos que não se encaixam em nenhuma dessas categorias e são eles que vamos conhecer agora.

Fundos imobiliários (FIIs)

Os Fundos Imobiliários são uma classe de fundo de investimento em que os investidores aplicam seus recursos em conjunto no mercado imobiliário.

Tradicionalmente, o dinheiro é usado na construção ou na aquisição de imóveis que depois serão locados.

Você pode aprender mais sobre Fundos Imobiliários nesse vídeo.

Diferente de todos os outros fundos, os ganhos obtidos com as operações de um FII são divididos entre os participantes, na proporção em que cada um aplicou.

Portanto, para quem deseja construir uma carteira de investimentos que gere renda passiva, esse é um dos principais ativos utilizados.

Fundos de índice (ETFs)

Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de investimento que buscam acompanhar o desempenho de um índice de referência.

Por exemplo, o BOVA11 é um ETF que replica o desempenho do índice Ibovespa.

Nesse sentido, a maior vantagem desse tipo de ativo são os baixos custos e a garantia de que o investidor não terá um retorno abaixo do mercado.

Além disso, tanto os FIIs quanto os ETFs são fundos fechados negociados na Bolsa de Valores.

Fundos de Fundos (FoFs)

Os FOFs (Fundos de outros Fundos) ou FICs (Fundos de Cotas) são aqueles que investem pelo menos 95% do seu patrimônio em cotas de outros fundos de uma mesma classe (com exceção dos Multimercado).

Por isso, são uma ótima opção para aquele investidor que deseja uma diversificação maior investindo em um só fundo ou para aqueles que desejam ter acesso a fundos que a Pessoa Física não tem.

Contudo, é importante lembrar que você pagará as taxas do fundo que você investe e dos fundos que ele investe.

Vantagens e desvantagens dos fundos de investimento

Como todo produto de investimento, os fundos têm vantagens e desvantagens.

Dentre as vantagens, podemos citar a diversificação de baixo custo. Isto é, você terá acesso a muitos ativos pagando bem menos do que se você fosse comprar cada ativo individualmente.

Além disso, existe a gestão profissional. À frente de cada fundo, existem profissionais muito competentes que fazem a gestão dos recursos dos cotistas.

Ademais, nós temos acesso a diferentes ativos que não teríamos se fôssemos investir normalmente, como Pessoa Física.

Por fim, há grande variedade de fundos, que se adequam aos mais diferentes perfis, objetivos e estratégias.

Em contrapartida, como primeira desvantagem, existe o fato que você não perder a autonomia sobre as decisões de investimento, ficando tudo a cargo do gestor.

A isso, acresce-se o fato que você pagará taxas nesse produto, um custo inexistente para quem investe por conta própria.

Todavia, apesar das taxas, existem fundos que cobram uma taxa baixíssima ou em que a rentabilidade compensa bastante os custos.

Imagem representando o tema como investir em fundos de investimento
Aprenda agora a investir em fundos de investimento

Como investir em fundos de investimento

O processo de se investir em fundos de investimento é bastante simples, mas pode variar de acordo com o tipo do fundo.

Como foi dito, os fundos abertos são aqueles em que a cota não pode ser transferida. Nesse caso, você terá acesso a esses fundos através da plataforma da corretora.

No caso da corretora Toro Investimentos, você fará o seguinte processo:

  1. Faça login na sua conta da corretora;
  2. Clique na aba “Mais Investimentos” na parte superior;
  3. Selecione a opção “Fundos de Investimento”; e
  4. Escolha o fundo da sua preferência.
Toro: corretora de investimentos
Página de fundos de investimento da Toro

Nessa aba de fundos, você poderá aplicar vários filtros para que apareçam somente os fundos mais adequados para você.

Naturalmente, existem corretoras que te oferecem uma variedade maior de fundos do que outras.

A seguir tem uma lista com as melhores corretoras para se investir nesse produto:

Nesse processo, é importante que você verifique se o fundo é adequado ao seu perfil, aos seus objetivos e a sua estratégia.

Além disso, você precisa verificar a qualidade da gestão, os custos do fundo e sua política de investimento.

Toro Investimentos

4.1 50
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Design Bonito e intuitivo.
Taxas Corretagem zero e o jeito mais fácil de investir.
Carteira Veja a carteira de longo prazo indicada para o seu perfil.
Ativos Invista em Renda Fixa, Fundos ou ações.
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Imposto de Renda em fundos de investimento

A tributação dos fundos de investimento depende da classificação destes, mas a regra é que a alíquota do Imposto de Renda incide apenas sobre o lucro.

Contudo, além do imposto sobre o lucro que temos que pagar quando vendemos ou resgatamos a cota, em alguns fundos é preciso pagar o “come-cotas”.

Em outras palavras, a cada seis meses, ocorre uma redução do número de cotas (por isso, “come-cotas”) que equivale ao percentual do imposto cobrado sobre os rendimentos.

Entretanto, esse tributo só é cobrado em fundos abertos e com duração indeterminada.

Mas, não se preocupe, você também não precisa se preocupar em recolher o imposto devido nos fundos de investimento, pois isso é uma tarefa do administrador.

Além desses dois tributos, existe a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que incide caso você resgate sua cota antes de 30 dias, com uma alíquota que varia de 96%, no primeiro dia, até 3%, no 29° dia.

Por fim, também existe a possibilidade de compensação de perdas, ou seja, o prejuízo da venda de um fundo pode abater o lucro que você obteve de um outro fundo para que, assim, você pague menos impostos.

Todavia, para haver essa possibilidade, é preciso que as perdas e os ganhos sejam em fundos com o mesmo perfil tributário, mesma classificação e mesmo administrador (ou instituição intermediária).

Agora, portanto, vamos conhecer como funciona a tributação dos principais fundos de investimento.

Fundos de Investimento de Renda Fixa

Nos fundos de renda fixa, a tributação vai variar de acordo com a classificação do fundo, se de curto ou longo prazo.

Tempo como cotistaAlíquota
Fundos de Longo Prazo
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%
“Come-cotas”15%
Fundos de Curto Prazo
Até 180 dias22,5%
Acima de 180 dias20%
“Come-cotas”20%
Tabela de IR dos fundos de renda fixa

Os fundos são classificados como de longo prazo e de curto prazo a depender do prazo médio dos títulos que compõem a carteira do fundo.

Além do Imposto de Renda, os fundos de Renda Fixa têm a incidência do IOF.

Entretanto, se algum fundo tiver carência inferior a 90 dias, o “come-cotas” ocorrerá com uma frequência igual ao período de carência.

Fundos Cambiais e Multimercado

A tributação dos fundos cambiais e multimercado é exatamente igual ao dos fundos de Renda Fixa, ou seja, a alíquota vai depender do prazo médio dos títulos da carteira do fundo e há incidência de “come-cotas” e IOF.

Fundos de Investimento de Ações

Nos fundos de ações, a alíquota é 15% sobre o ganho de capital e não tem “come-cotas” nem IOF.

Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs)

Nos fundos imobiliários, a alíquota sobre ganho de capital é de 20% e não tem “come-cotas” nem IOF.

Além disso, os proventos distribuídos aos cotistas são isentos de imposto para pessoas físicas.

No caso dos FIIs, não é preciso que os fundos sejam do mesmo administrador para que haja compensação de perdas.

Fundos de índice (ETFs)

Nesse caso, a alíquota vai ser de 15%, sem “come-cotas” nem IOF.

Contudo, diferentemente dos outros fundos, o tributo devido nos ETFs e o FIIs deve ser recolhido pelo próprio investidor.

Por fim, é preciso lembrar que ambos os fundos não têm “come-cotas” porque eles obrigatoriamente são fundos fechados.

Dúvidas frequentes sobre o assunto

Naturalmente, pode ter restado alguma dúvida sobre o tema. Então, vamos abordar os assuntos complementares agora.

Movimentação mínima é o menor valor que você pode movimentar mensalmente naquele fundo, seja para fazer novas aplicações ou resgates.

O Imposto sobre Operações Financeiras é cobrado nos seguintes fundos: renda fixa, cambial e multimercado.

Esse imposto é cobrado até 30 dias depois do investimento inicial. Contudo, nos fundos com carência, você estará sujeito à cobrança de IOF durante todo o período de carência.

Mesmo dentre aqueles fundos que tiveram ótimos retornos passados, não podemos falar de um melhor fundo de investimento.

Isso porque precisamos primeiro verificar se o fundo em questão está de acordo com nosso perfil, objetivos e estratégias.

Além disso, o retorno passado de um fundo não é garantia de retorno futuro.

Por isso, escolha um fundo que tenha um gestor competente e que tenha a estratégia parecida com a sua.

Vale a pena investir em fundos de investimento?

Com certeza, vale muito a pena investir em fundos de investimento.

Contudo, isso não significa que todos os fundos valham a pena, mas sim que o instrumento pode nos trazer grandes benefícios.

Portanto, com uma escolha criteriosa, poderemos escolher fundos bem diversificados e bem geridos que nos gerarão altos retornos no longo prazo.

Nesse sentido, o fato de haver um gestor competente por trás do fundo não nos isenta de estudar detalhadamente o ativo em que vamos investir.

Desse modo, com muito estudo e paciência, garantiremos um futuro sólido e tranquilo.

Continue aprendendo!

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      Escrito por Marcos Vitor Especialista em investimentos

      Especialista em investimentos do Mobills, Marcos é estudante de economia na UFC e recentemente tirou sua certificação na área. Tem como hobby aconselhar amigos sobre investimentos.

      • Certificado de Especialista Anbima (CEA);
      • Estudante de economia;
      • ETF no Mercado Brasileiro - ANBIMA;
      • Gestão de Riscos - ANBIMA.
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