Mercado financeiro para iniciantes: entenda o conceito e funcionamento

O mercado financeiro é fundamental para o desenvolvimento do país. Então, conheça agora seu funcionamento!

Artigo escrito por Marcos Vitor em 24 de Junho de 2021

mercado financeiro - ilustração

Entender o conceito e o funcionamento do mercado financeiro é fundamental para quem quer começar a investir.

Isso porque uma compreensão mais ampla da economia aprimorará nossa capacidade de análise e de escolha dos ativos.

Por isso, neste artigo, nós vamos abordar todos os temas relevantes para o entendimento desse assunto.

Então, se você deseja aprender tudo sobre o mercado financeiro, leia até o final!

Vamos lá?

O que é mercado financeiro?

O mercado financeiro é um intermediador entre poupadores e tomadores de recursos.

Dessa forma, sem essa intermediação, cada agente que tem dinheiro a emprestar teria muito trabalho para encontrar aqueles que precisam desse dinheiro.

Por isso, através do papel do mercado financeiro, os superavitários conseguem multiplicar seu capital e os deficitários conseguem os recursos necessários para financiar suas atividades.

mercado financeiro dinâmica
Dinâmica do Mercado Financeiro

Desse modo, o mercado financeiro viabiliza o desenvolvimento e o crescimento do país, possibilitando o aumento de produtividade, da eficiência e do bem-estar social.

Nesse sentido, o conjunto de instituições que integram esse mercado é definido como Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Portanto, o mercado financeiro tem algumas funções:

  • Estimular a formação de poupanças;
  • Facilitação de transferências de recursos entre os agentes; e
  • Provisão de liquidez aos agentes.

Como funciona o mercado financeiro

Basicamente, as instituições financeiras captam recursos daqueles que têm poupança e emprestam para aqueles que precisam.

Os agentes pegam empréstimos, como empresas que desejam fazer investimentos no seu negócio para expandir suas operações.

Nesse processo, o lucro da instituição financeira se dá pela diferença do valor que ela paga ao poupador e cobra do tomador.

Divisões do mercado financeiro

Contudo, o sistema financeiro não se resume a isso. Na verdade, ele se divide em alguns segmentos:

  • Mercado monetário: corresponde às operações de curtíssimo prazo com títulos públicos;
  • Mercado de capitais: diz respeito às negociações envolvendo títulos de dívida e de propriedade emitidos por empresas;
  • Mercado de crédito: corresponde às operações de empréstimos concedidos por instituições financeiras; e
  • Mercado de câmbio: diz respeito às transações de compra e de venda de moeda estrangeira.
Divisão do mercado financeiro
Divisão do Mercado Financeiro

Apesar dessa divisão técnica, na prática, eles estão interligados, e o conglomerados financeiros atuam nos quatro segmentos.

Nós podemos constatar isso nas taxas de curtíssimo prazo praticada no mercado monetário que é fator determinante do comportamento dos outros três segmentos.

Participantes do mercado financeiro

Então, agora, vamos analisar o mercado financeira pela ótica dos órgãos que o compõe, pela sua estrutura.

Segundo o Banco Central do Brasil, o SFN se divide em três níveis: órgãos normativos, entidades supervisoras e operadores.

A seguir, temos uma tabela que ilustra essa estrutura:

Tabela com estrutura do mercado financeiro
Estrutura do Mercado Financeiro

Os órgãos normativos são os responsáveis pela definição das políticas e diretrizes gerais do sistema financeiro, sem funções executivas.

Por outro lado, as entidades supervisoras assumem diversas funções executivas, como a fiscalização das instituições sob sua responsabilidade, com o intuito de regulamentar as decisões tomadas pelas entidades normativas.

Por fim, as entidades operadoras, que são todas as demais instituições financeiras, são responsáveis, entre outras atribuições, pela intermediação de recursos ou pela prestação de serviços.

Portanto, vamos conhecer algumas dessas entidades:

Conselho Monetário Nacional – CMN

É o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional e é formado pelo Ministro da Economia e pelo Presidente do Banco Central.

Dentre suas funções, está a de definir a meta de inflação e estabelecer as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial e creditícia.

Banco Central do Brasil – BCB

É a autarquia federal que tem como principal missão institucional assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional e um sistema financeiro sólido e eficiente.

As funções do BCB são:

  • Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional e da solidez do Sistema Financeiro Nacional;
  • Executar a política monetária mediante utilização de títulos do Tesouro Nacional;
  • Fixar a taxa de referência para as operações compromissadas de um dia, conhecida como taxa Selic;
  • Controlar as operações de crédito das instituições que compõem o Sistema Financeiro Nacional;
  • Formular, executar e acompanhar a política cambial e de relações financeiras com o exterior;
  • Fiscalizar as instituições financeiras e as “clearings” (câmaras de compensação);
  • Emitir papel-moeda;
  • Executar os serviços do meio circulante para atender a demanda de dinheiro necessária às atividades econômicas;
  • Manter o nível de preços (inflação) sob controle;
  • Manter sob controle a expansão da moeda e do crédito e a taxa de juros;
  • Operar no mercado aberto, de recolhimento compulsório e de redesconto;
  • Executar o sistema de metas de inflação;
  • Divulgar as decisões do Conselho Monetário Nacional;
  • Manter os ativos de ouro e de moedas estrangeiras para atuação nos mercados de câmbio;
  • Administrar as reservas internacionais brasileiras;
  • Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras nacionais; e
  • Conceder autorização para o funcionamento das instituições financeiras.

Comissão de Valores Mobiliários – CVM

É uma autarquia federal criada para fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil.

Nesse sentido, suas funções são estimular a formação de poupança e a sua aplicação, fiscalizar o funcionamento das bolsas de valores e proteger os investidores.

Mas, o que são valores mobiliários?

O que são valores mobiliários?
  • Ações, debêntures e bônus de subscrição;
  • Os cupons, direitos, recibos de subscrição e certificados de desdobramento relativos aos valores mobiliários supracitados;
  • Os certificados de depósitos de valores mobiliários;
  • As cotas de fundos de investimento em valores mobiliários ou de clubes de investimento em quaisquer ativos;
  • As cédulas de debêntures;
  • Notas comerciais; e
  • Os contratos derivativos.

Por outro lado, não são valores mobiliários:

  • Títulos públicos; e
  • Títulos de responsabilidade de instituições financeiras (exceto debêntures).

Bolsa de Valores

São mercados organizados, em que operações de compra e de venda de ações e de títulos são realizadas a partir de um conjunto de regras.

Para terem suas ações negociadas em bolsa de valores, as empresas precisam cumprir uma série de exigências que tornam mais transparentes as suas situações financeiras e as formas como se relacionam com seus acionistas.

Além disso, para se ter acesso ao ambiente de bolsa, é necessário a intermediação de uma instituição financeira, como um banco ou uma corretora.

Como investir no mercado financeiro

A melhor forma de ter acesso aos produtos negociados no mercado financeiro é através de uma instituição intermediadora, como bancos e corretoras.

Dessas duas, a mais simples, barata e completa são as corretoras de valores, pois são focadas justamente em oferecer ativos.

Contudo, antes de começar a investir, é necessário conhecer os principais produtos que os investidores negociam no mercado financeiro.

Produtos financeiros

Os ativos se dividem em duas grandes classes, a renda fixa e a renda variável, e a cada uma delas contém vários produtos diferentes.

Renda fixa

Os ativos de renda fixa são aqueles onde você já sabe qual será o fator de rentabilidade e o prazo do título no momento da aplicação.

Ou seja, no momento em que você está investindo, você já sabe qual será o parâmetro do rendimento e o prazo de vencimento.

Sendo assim, os principais investimentos dessa classe são:

Títulos Públicos

Considerado o investimento mais seguro do Brasil, esse investimento consiste numa operação de empréstimo, em que você é o credor e o governo é o devedor.

O governo emite os títulos públicos para captar recursos de investidores que esperam receber o valor emprestado acrescido de juros no vencimento.

Certificado de Depósito Bancário

O investimento em um CDB também consiste em uma operação de empréstimo sendo que o devedor é uma instituição financeira.

É possível encontrar CDBs com baixíssimo risco, pois no Brasil temos grandes bancos que são muito sólidos e seguros.

Debêntures

A debênture também é um título de renda fixa e, por isso, funciona basicamente como um título público e um CDB.

Contudo, ao invés de emprestar dinheiro para o governo, você emprestará para uma empresa que não faz parte do setor financeiro.

LCI e LCA

Uma LCI é uma Letra de Crédito Imobiliário e uma LCA é uma Letra de Crédito do Agronegócio.

Elas são títulos de crédito emitidos por instituições financeiras vinculado ao setor imobiliário e agrícola, respectivamente.

Portanto, basicamente você emprestará seu dinheiro para ser aplicado nesses setores.

Caso prefira, você pode assistir um vídeo completo sobre renda fixa e variável.

Renda variável

São aqueles investimentos onde o retorno não pode ser mensurado no momento da aplicação, ou seja, pode haver uma variação positiva ou negativa a depender das expectativas do mercado.

Por não sabermos como se comportará os preços desses ativos, os riscos são maiores.

Então, se os riscos são maiores, deve haver um retorno esperado maior que compense esse risco adicional.

Dentro dessa classe, os principais investimentos são:

Ações

Uma ação é a menor parte do patrimônio de uma empresa. Portanto, ao adquirir uma, você passa a ser sócio da companhia.

Nesse sentido, o maior atrativo das ações é a expectativa de valorização do preço da ação e o recebimento de dividendos, que é a parte do lucro que a empresa distribui aos acionistas.

Derivativos

Um derivativo é um contrato feito entre duas partes do qual se definem pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços de um ativo de mercado.

Em resumo, podemos dizer que um derivativo é um contrato cujo valor deriva do preço do ativo à vista.

Moedas

Moedas nada mais são que meios de trocas. Nosso real é uma moeda, da mesma forma que o dólar, o euro, a libra, o franco etc.

Existem basicamente três motivos para se investir em moedas: se preparar para uma viagem, diversificar o portfólio e proteger o patrimônio.

Criptomoedas

As criptomoedas são moedas digitais que utilizam a criptografia para proteger dados e processar transações.

Elas surgiram com o objetivo de ser uma moeda descentralizada, ou seja, que não pertence a algo ou a alguém, e de não sofrer pressão/influência externa.

Commodities

Commodities são matérias-primas essenciais para a economia de todos os países. Além disso, são produzidas em grandes quantidades e sem diferenças entre as marcas.

Por esses motivos, a negociação de seus preços é realizada em escala global.

Fundos Imobiliários

É uma classe de fundo de investimento em que os investidores aplicam seus recursos em conjunto no mercado imobiliário.

Tradicionalmente o dinheiro é usado na construção ou na aquisição de imóveis que depois serão locados.

Fundos de Índice (ETFs)

São fundos de investimento que buscam acompanhar o desempenho de um índice de referência.

Por exemplo, o BOVA11 é um ETF que replica o desempenho do Ibovespa.

Além desses, existem outras categorias de fundos de investimentos que investem em outros ativos do mercado financeiro.

Como trabalhar no mercado financeiro

A melhor forma de se inserir no mercado financeiro é tendo um currículo voltado para os cargos disponíveis nessa área.

Apesar de não ser obrigatório, uma graduação de economia e finanças pode ser um diferencial em um processo seletivo.

Além disso, não espere acabar a graduação para tentar uma vaga de trabalho, isso porque uma experiência prévia também pode ser um diferencial.

Então, fique atento às oportunidades que são divulgadas nas redes sociais, como o LinkedIn, e nos sites das próprias empresas.

Por fim, é preciso saber que algumas funções exigem uma certificação específica, então será necessário se certificar para trabalhar em algumas dessas áreas.

A seguir, vamos conhecer algumas certificações do mercado financeiro e as atribuições de cada uma.

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Certificações do mercado financeiro

As certificações financeiras nada mais são do que certificados emitidos para aqueles que são aprovados em exames técnicos.

Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário fazer um curso prévio para se certificar, basta acertar um número mínimo de questões nos testes.

Como foi dito, em alguns cargos do mercado financeiro, é preciso ser certificado para se qualificar e estar apto para a vaga.

As principais certificações são:

CPA-10 e CPA-20

São as duas certificações mais básicas e são voltadas para quem deseja trabalhar no sistema bancário.

No caso da CPA-10, ela é pré-requisito para todos os agentes bancários. Por outro lado, a CPA-20 é necessária para quem quer ser gerente ou do segmento de alta renda.

CEA

É a certificação para quem deseja ser um especialista em investimentos e atuar na parte de assessoria aos gerentes de contas de investidores.

Além disso, quem é CEA está qualificado para exercer as funções de CPA-10 e CPA-20.

CFP

É a certificação dos planejadores financeiros e uma das mais conceituadas do mercado.

Além de englobar as atribuições de um CEA, ela capacita o profissional a fazer o planejamento financeiro completo do cliente.

Contudo, diferente das três anteriores, para tirar essa certificação é preciso ter ensino superior e pelo menos três anos de atuação no mercado financeiro.

CGA

É a certificação indicada para quem desejar atuar com atividades de Gestão Profissional de Recursos de Terceiros.

Ancord (AAI)

Essa certificação é voltada para quem almeja atuar como Agente Autônomo de Investimentos.

Normalmente, esses profissionais ganham de acordo com o tamanho da sua cartela de clientes.

CNPI

É indicada para quem deseja se tornar analista de investimentos.

Nesse sentido, o trabalho do analista é fazer análises e emitir relatórios sobre os ativos e os setores do mercado.

A CNPI também exige ensino superior, mas não é necessário comprovar experiência na área.

Existem outras certificações financeiras, mas essas são as principais a nível nacional e que abrem muitas oportunidades de emprego com uma boa remuneração.

Hoje em dia, existem várias escolas de ensino que te capacitam a passar em cada uma dessas certificações, mas você também pode estudar por conta própria com os materiais gratuitos que têm na internet.

Considerações finais

Entender o funcionamento do mercado financeiro é indispensável para quem quer investir e/ou trabalhar nele.

Portanto, é importante que você continue estudando sobre o assunto para além deste artigo.

Dessa forma, você vai se desenvolver como investidor e como profissional e entenderá uma parte importante da nossa economia.

Continue aprendendo!

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2 comentários publicados nesse artigo
    17/09/2021 às 22:54

    Muito bom !!!
    Falem mais sobre cripitoativos

      20/09/2021 às 08:51

      Que bom que gostou, Gescleison. Já postamos vários conteúdos sobre o mercado de criptoativos, mas prometemos postar mais em breve.

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Escrito por Marcos Vitor Especialista em investimentos

Especialista em investimentos do Mobills, Marcos é estudante de economia na UFC e recentemente tirou sua certificação na área. Tem como hobby aconselhar amigos sobre investimentos.

  • Certificado de Especialista Anbima (CEA);
  • Estudante de economia;
  • ETF no Mercado Brasileiro - ANBIMA;
  • Gestão de Riscos - ANBIMA.
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