Chegar à Europa é a realização de um sonho para muitos brasileiros, mas a porta de entrada pode ter desafios que exigem paciência e, acima de tudo, preparação.
A imigração no Aeroporto de Lisboa tornou-se famosa não apenas por ser o principal ponto de conexão entre o Brasil e o Velho Continente, mas também pelas suas limitações operacionais que desafiam os viajantes.
Independentemente da época do ano, é comum ouvir relatos sobre o rigor na fiscalização e o tempo que se perde nas filas antes mesmo de pegar as malas.
Com as recentes mudanças legislativas e o aumento do fluxo turístico, entender como esse sistema funciona deixou de ser opcional, é uma questão de sobrevivência para sua viagem.
Neste artigo, vamos explicar o que realmente acontece no Aeroporto Humberto Delgado, o que mudou nas regras e maneiras de você se preparar para tudo isso.
O objetivo é que você passe pelo controle de fronteira com a tranquilidade de quem sabe exatamente o que está fazendo, sem surpresas desagradáveis.
Não é novidade que entrar em Portugal exige paciência. O aeroporto da capital portuguesa opera frequentemente acima da sua capacidade teórica.
Isso significa que, quando vários voos transatlânticos (especialmente os vindos do Brasil e dos EUA) pousam simultaneamente, o saguão de imigração satura rapidamente.
Além da infraestrutura limitada, o cenário tornou-se mais complexo com o endurecimento das regras para viajar para Europa.
As autoridades estão mais criteriosas na verificação de documentos para viajar, com o intuito de controlar o fluxo migratório irregular.
Em períodos de alta temporada (como verão europeu e festas de fim de ano), a combinação de muitos passageiros com poucos agentes de fronteira gera o cenário perfeito para a temida fila na imigração, que em dias críticos pode ultrapassar 4, 5 ou até 7 horas de espera.
Leia também: Telefone TAP: Como entrar em contato [Celular, Site, WhatsApp e mais]
Recentemente, Portugal passou por ajustes significativos em sua legislação, impactando diretamente quem chega ao país.
A nova lei de imigração acabou com a possibilidade de regularização através da “manifestação de interesse” para quem entrava como turista.
Isso significa que o controle na chegada está muito mais rígido para garantir que quem entra como turista realmente veio a turismo.
Para passar sem sustos, tenha em mãos (e impressos, de preferência já que a bateria do seu smartphone pode acabar) os seguintes itens, além do seu passaporte brasileiro válido:
A falta de qualquer um desses itens é o principal motivo de retenção de brasileiros na fronteira.
É possível de que outras exigências mais específicas sejam feitas no momento da checagem, porém, essas são as principais e mais comuns. Então, esteja bem preparado e não conte com a sorte.
Veja também: Como funciona o leilão de upgrade de cabine na TAP Portugal? Descubra!
Essa é a pergunta de um milhão de euros. O tempo de espera é volátil. Em dias tranquilos, você pode passar em 45 minutos. Em dias de caos, prepare-se para maratonas de várias horas.
Se o seu destino final não é Lisboa e você tem uma conexão em Lisboa que exige troca de terminal ou despachar malas novamente (voos não integrados), tenha muito cuidado.
Confira também: Qual telefone da Polícia Federal para emitir passaporte?
Às vezes, mesmo com tudo certo, não há como fugir: você vai encarar a fila. O ambiente do controle de passaportes muitas vezes não oferece acesso fácil a banheiros, bebedouros ou lanchonetes dentro da área de espera confinada.
Para não ter dor de cabeça (literalmente), aqui vão algumas dicas de viagem essenciais para levar na bagagem de mão:
- Garrafa de água vazia: Passe pelo raio-X no Brasil com ela vazia e encha nos bebedouros antes de entrar na fila da imigração em Lisboa. A desidratação é comum após longos voos.
- Snack de emergência: Barrinhas de cereal, chocolate ou biscoitos. Se a fila durar 6 horas, você vai agradecer por ter comida.
- Power Bank: Não há tomadas na fila. Ficar sem bateria significa ficar sem comunicação e sem acesso a documentos digitais.
- Agasalho leve: O ar condicionado pode ser forte ou, no inverno, os corredores podem ser gelados.
- Entretenimento offline: Baixe filmes ou livros. A internet do aeroporto nem sempre funciona bem na área de imigração lotada.
Prioridades legais (idosos, gestantes, crianças de colo) existem, mas em momentos de colapso operacional, até essas filas preferenciais podem ficar congestionadas.
Se o seu objetivo é morar ou passar mais tempo em terras lusitanas, tentar entrar como turista para depois “dar um jeito” não é mais uma opção viável ou segura.
Existem caminhos legais e menos estressantes que evitam questionamentos duros na cabine do inspetor.
O governo português criou facilitadores como o visto de procura de trabalho. Ele permite que você entre legalmente por 120 dias (prorrogáveis) especificamente para buscar emprego, sem precisar mentir na imigração.
Outra opção popular é o visto de nômade digital, ideal para quem trabalha remotamente e tem renda própria.
Esses vistos garantem uma entrada muito mais tranquila, pois você já foi pré-aprovado no consulado ainda no Brasil.
Para cidadãos de países de língua portuguesa, o acordo CPLP visa facilitar a mobilidade e a autorização de residência.
Embora a implementação prática ainda gere dúvidas em alguns postos de fronteira, ter a documentação CPLP alinhada é uma grande vantagem burocrática.
Considere chegar pelo Aeroporto do Porto (OPO) ou Faro.
Embora Lisboa seja o principal ponto, voos para o Porto costumam ter um controle de imigração um pouco menos saturado, embora as regras de entrada sejam as mesmas em todo o território nacional.
Para tentar agilizar o processo, o aeroporto conta com os chamados e-gates (portas eletrônicas de leitura biométrica).
Anteriormente restrito a cidadãos da União Europeia, o sistema RAPID4ALL foi testado para brasileiros maiores de 18 anos com passaporte eletrônico.
No entanto, a disponibilidade desse sistema varia conforme a decisão operacional do dia e as diretrizes da polícia de fronteira.
Sempre observe a sinalização ao desembarcar. Se o uso dos e-gates estiver liberado para passaportes brasileiros, dirija-se a eles: a leitura é feita pela máquina e costuma ser muito mais rápida que a cabine manual.
Porém, o sistema só é válido para quem possui o passaporte eletrônico e não é possível passar com criança, já que é necessário ter pelo menos 18 anos para usá-lo.
Continue lendo: Lugares para viajar em janeiro: conheça as melhores opções para 2025