Previdência privada: Tenha uma aposentadoria mais confortável

Quem deseja ter uma aposentadoria tranquila, precisa conhecer os meios para alcançar esse objetivo. Então, leia o artigo e aprenda o essencial sobre previdência privada.

Artigo escrito por Marcos Vitor em 21 de Julho de 2021

previdência privada idosos na bicicleta

Muitas pessoas optam por aplicar em uma previdência privada porque sabem da realidade de muitos aposentados brasileiros.

Segundo uma pesquisa recente do SPC, 21% daqueles que recebem o benefício do INSS continuam trabalhando.

Contudo, dessa porcentagem, 47% o fazem por necessidade financeira.

Portanto, podemos perceber que uma previdência privada pode ser um ótimo investimento para quem deseja ter um futuro mais tranquilo.

Para tanto, precisamos conhecer todas as características desse produto para que possamos investir, ou não, com consciência.

Então, vamos nessa?

O que é previdência privada

A previdência privada, também conhecida como previdência complementar, é um tipo de fundo de investimento indicado para quem deseja acumular recursos para a aposentadoria.

Então, ao contratar um plano de previdência que seja adequado as suas necessidades, o investidor aplicará seu dinheiro em um fundo que corresponde ao plano contratado.

Nesse sentido, o plano é como um “pacote” com características específicas, enquanto o fundo é o veículo de investimento em si.

Devido as suas características e a insustentabilidade da Previdência Social, os fundos para a aposentadoria estão atraindo cada vez mais investidores.

Isso pode ser visto nos dados de uma pesquisa realizada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).

previdência privada dados da fenaprevi
Dados da Fenaprevi sobre Previdência Privada

Ademais, os planos de previdência se dividem em dois segmentos: fechado e aberto.

Previdência aberta e fechada

A maior diferença entre as duas reside na obrigatoriedade, no caso das entidades fechadas, de vínculo empregatício entre participante e empresa patrocinada do fundo.

Por outro lado, a previdência aberta é aquela em que qualquer um pode investir, mesmo sem qualquer compromisso de trabalho com determinada empresa.

Além disso, no que diz respeito a esse último, existem dois tipos de planos. E é sobre eles que vamos falar agora.

Tipos de planos

Os planos de previdência se dividem em dois tipos principais, o VGBL e o PGBL, com a característica tributária sendo a principal diferença entre eles.

Para que possamos saber qual dos dois mais se adequam ao nosso perfil, precisamos conhecê-los melhor.

PGBL

O Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) é um plano de Previdência Complementar que permite deduzir as contribuições até 12% da renda tributável para quem utiliza o modelo completo na Declaração de Imposto de Renda.

Contudo, no momento do resgate, a alíquota do tributo devido incide sobre o saldo total.

Portanto, apesar do benefício da dedução, o investidor terá que pagar um imposto mais elevado no momento do resgate ou do recebimento da renda.

Por fim, é importante lembrar que, para haver a dedução, o participante tem que contribuir também para o INSS, caso contrário, suas contribuições não serão deduzidas.

VGBL

O Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) também é um plano de Previdência Complementar cuja principal característica é que a alíquota do Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos, não sobre o saldo total.

Contudo, diferente do PGBL, não há a possibilidade de dedução das contribuições na Declaração Anual.

Nesse sentido, o VGBL é indicado para quem utiliza o modelo simplificado na Declaração de Imposto de Renda, e o PGBL é indicado para quem utiliza o modelo completo.

previdência privada estatísticas da fenaprevi
Proporção de VGBL e PGBL segundo dados da Fenaprevi

Entretanto, nos planos de previdência privada, é possível escolher o regime de tributação que o convém, o que não acontece nos fundos de investimentos tradicionais.

Regimes de tributação

Como foi dito, o regime de tributação pode ser escolhido pelo participante no momento da contratação do plano.

Além disso, um regime se apresenta como mais proveitoso do que o outro dependendo dos nossos objetivos.

Regime tributável

Nesse regimento, também conhecido como Tabela Progressiva, o resgate será tributado em 15% durante a fase de acumulação, com retenção na fonte e ajuste feito na Declaração Anual.

Durante o período de usufruto, o benefício será tributado conforme tabela progressiva e o ajuste feito na Declaração Anual.

Base de cálculo (em termos anuais)Alíquota
Até R$ 22.847,76Isento
De R$ 22.847,77 até R$ 33.919,807,5%
De R$ 33.919,81 até R$ 45.012,6015%
De R$ 45.012,61 até R$ 55.976,1622,5%
Acima de R$ 55.976,1627,5%
Tabela Progressiva de Imposto de Renda

Regime definitivo

Nesse regime, também conhecido como Tabela Regressiva, a alíquota vai de 35% a 10% conforme prazo de permanência no plano.

Nesse caso, a tributação é definitiva, e os rendimentos não compõem a base de cálculo para a Declaração Anual.

Base de cálculoAlíquota
Até 2 anos35%
De 2 a 4 anos30%
De 4 a 6 anos25%
De 6 a 8 anos20%
De 8 a 10 anos15%
Acima de 10 anos10%
Tabela Regressiva da Previdência Complementar

Portanto, quem está perto de se aposentar ou tem muitas despesas tributáveis, deve optar pelo regime progressivo.

Por outro lado, para quem vai receber uma renda muito alta, recomenda-se o regime regressivo.

Como funciona a previdência privada

Nos fundos de previdência, após um período de acumulação de recursos, é proporcionado ao investidor uma renda mensal ou um pagamento único.

O primeiro período é chamado de período de diferimento, enquanto o segundo de período de usufruto.

Nesse ínterim, os recursos do participante são geridos por um profissional que busca atingir a maior rentabilidade possível respeitando a classe do fundo, que são:

  • Renda fixa;
  • Balanceados (a proporção da renda variável difere de acordo com cada fundo);
  • Multimercado;
  • Data-alvo (a alocação muda com o passar do tempo); e
  • Ações.

Além disso, durante esse período, o participante pode contratar coberturas adicionais em caso de morte ou invalidez.

Por fim, precisamos conhecer os tipos de renda contratadas para a fase de usufruto. Elas se dividem em dois tipos principais:

  • Renda financeira: o participante efetua resgates dos recursos acumulados até eles acabarem; e
  • Renda atuarial (vitalícia): o participante converte o montante acumulado em renda ou em um pagamento único, conforme condições inicialmente contratadas.

Então, nesse momento, o investidor pode usufruir dos recursos aplicados ao longo dos anos.

Previdência privada vale a pena?

Normalmente, as previdências privadas costumam ter uma rentabilidade abaixo da média do mercado.

Então, para quem tem mais conhecimento sobre finanças e investimentos, a melhor opção seria construir uma reserva para a aposentadoria através de outros instrumentos.

Contudo, para quem quer se forçar a aplicar um valor mensal ou não tem muito tempo para gerenciar uma carteira de investimentos, os fundos de previdências podem ser a solução para uma aposentadoria mais tranquila.

Além disso, um dos principais benefícios desse ativo é a gestão profissional dos nossos recursos e a possibilidade de deduções tributárias.

Por fim, existem muitos tipos de rendas vitalícias que se adequam às mais diferentes necessidades.

Então, dependendo da sua realidade, a previdência privada pode valer a pena sim.

idosos olhando a tela do computador
Aprenda a investir em previdência privada

Como investir em previdência privada

Você pode investir em uma previdência privada da mesma forma que você investe em fundos de investimentos, através de bancos e corretoras.

Todavia, ao contrário desse último produto, encontrar uma corretora que oferece previdência privada é muito mais difícil.

Isso porque esse instrumento é ofertado mais comumente por grandes bancos.

Dessa forma, se você quiser investir nesse ativo, precisa verificar em quais corretoras é possível encontrá-lo e/ou se a previdência oferecida pelo seu banco vale a pena.

Nesse sentido, você precisa verificar a gestão, as taxas cobradas, a classe e a estratégia do fundo para que você possa escolher a opção mais adequada.

Dúvidas complementares

Naturalmente, pode ter restado alguma dúvida sobre o tema. Então, vamos tentar abordar os assuntos complementares agora.

Não existe um melhor fundo de previdência, o que existe é aquele que é mais adequado para nós.

Nesse sentido, se quisermos descobrir qual se encaixa melhor a nossa necessidade, precisamos levar em consideração nosso perfil de risco e nossos objetivos.

Como todo fundo de investimento, existem alguns custos que temos que pagar que servem para financiar o funcionamento do fundo.

No caso da previdência privada, a taxa de administração e a taxa de carregamento são os principais.

Esse último se refere a um taxa que temos que pagar caso queiramos transferir nosso plano para outra instituição.

Além disso, cada uma dessas taxas vai variar de fundo para fundo.

Da mesma forma que os fundos de investimento, não é possível determinar o retorno de uma previdência privada de antemão.

Contudo, aqueles fundos com uma maior parcela em renda variável têm uma maior expectativa de retorno.

Por fim, não podemos desconsiderar os riscos, que são maiores à medida que a parcela do fundo em renda variável aumenta.

Qualquer Pessoa Física que deseje acumular recursos para a aposentadoria pode investir em uma previdência privada.

Isso porque elas cumprem o papel de garantir ao beneficiário uma renda de acordo com o que foi contratado.

Portanto, essa renda pode garantir uma aposentadoria tranquila ao complementar o valor que receberemos a Previdência Social.

Continue aprendendo!

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    2 comentários publicados nesse artigo
      21/07/2021 às 20:21

      Como faço pra fazer uma previdência privada para o meu filho? Ele tem vinte e três anos, mas está totalmente leigo sobre isso.

        22/07/2021 às 08:43

        Olá, Maria. Você pode criar uma previdência para o seu filho em um banco ou corretora. Depois que você analisou os planos e escolheu aquele em qual você vai investir, é só começar a depositar um valor mensalmente para construir a aposentadoria do seu filho.

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      Escrito por Marcos Vitor Especialista em investimentos

      Especialista em investimentos do Mobills, Marcos é estudante de economia na UFC e recentemente tirou sua certificação na área. Tem como hobby aconselhar amigos sobre investimentos.

      • Certificado de Especialista Anbima (CEA);
      • Estudante de economia;
      • ETF no Mercado Brasileiro - ANBIMA;
      • Gestão de Riscos - ANBIMA.
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